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Prosa 2006

Vigilância

Nas manhãs que desperto empoeirado experimento um ruborizar bugalhudo que mexe viscosamente entre o umbigo e a nuca consciente. Tudo é enevoado e não há gosto que me tire da soturnidade. O processamento mental delineia este azedo matinal. Enrodilho a cabeça nos lençóis e teatralizo a sensação. Os motivos deste cenário encontram-se protegidos pelo inconsciente, de pouco vale impor ordem no sentir presente, a lógica existe para as coisas, para os bichos e para entreter a mente.
2006, Janeiro, 19, 15:08:47 h, Parque do Rossio, Aveiro