inícioíndice saudosismo humano dentro páscoa ciente momentos liberdade engodo da formaçãodia tumultuoso pregado número altercação vigilância seitã com caril
…
O Júlio reparara nessa jovem sentada de sorriso suave. Por detrás dos certificados de competência, passados aos estudantes que por ali se demoram entre cinco a dez escorregados anos, essa funcionária dá mostras de honrar a sua formação. E não é da novidade, que engana todo o trabalhador descuidado, pois há quatro anos que o Júlio não conhece este serviço sem ela. Sem ela nem sem o outro que sempre a acompanha como a sombra de um sapato lançado de propósito – quase que lhe acerto – por um miúdo pertinaz numa tarde de sol a pique.
- Não leve a mal mas este exame está cheio de erros!
O professor olhava o Júlio e o Júlio temia que o professor se enfurecesse, que abrisse a sua boca de estrangeiro mal inserido e o engolisse como uma tocha nas goelas de um malabarista.
O mestre inglês sorriu com argúcia e, talvez por já ter duas filhas portuguesas, pediu ao Júlio que marcasse todos os erros (treze) entre eles “número”. Número é uma palavra esdrúxula e por isso leva acento como Júlio, selvático, enigmático e irónico; inóspito, bélico e platónico ou também apático, angélico e um pouco antagónico.
- Veja lá se dá isto a alguém português para corrigir que é uma vergonha para esta universidade. Então não vê que todas elas levam acento na terceira sílaba (cá está outra) a contar do fim? Já agora numeração só leva um til, ficou grave como o latido de um cão lançado contra a lógica da programação.