Prosa 2004

inícioíndice não importa bom senso avariado garraiada eslovena cigarro mal cheiroso se eu fosse mais pequeno e mexe, mexe, mexe a morte chamou-me em lisboa carro morador fio cortadoas coisas que não me aconteceramsobre o rio do teu corpouma semana para estabilizar a morte análise compor-tamental aplicadapom, pom, pom, pommergulho nas pessoas

Uma semana para estabilizar a morte

Suspenso na minha vida continuei a olhá-la de frente como nunca o tinha feito. Embati nela e ela embateu em mim num conflito desigual.
Uma semana que passou ligeira como um passeio à beira-mar. Passo ante passo não deixei de ver o Sol com todo o seu fulgor reiterado mas senti seixos bicudos nos meus pés descalços, podia calçar-me, podia ficar insensível ao fim por quase todos aceite e podia também caluniar esta pedra colada ao fecho de toda a vida sentida.

Ora a comida é mastigada várias vezes antes de descer às cavernas estomacais mas os segundos que ocupo com a normal salivação nada têm a haver com os sete dias que já levo nesta trituração.
A morte abalroou-me mas está perto do seu ponto correcto. Uma batata ou qualquer pedaço de broa mal mastigada empurra para o estômago desdentado o trabalho que a boca preguiçosa descartou, depois surge a agrura num presságio de indisposição. ...