Prosa 2004

inícioíndice não importa bom senso avariado garraiada eslovena cigarro mal cheiroso se eu fosse mais pequeno e mexe, mexe, mexe a morte chamou-me em lisboa carro morador fio cortadoas coisas que não me aconteceramsobre o rio do teu corpouma semana para estabilizar a morte análise compor-tamental aplicadapom, pom, pom, pommergulho nas pessoas

é claro que não importa

Vinte e uma horas e vinte minutos no relógio apressado por cima dos sinos caladinhos.
É claro que não importa que a velha multiforme com as varizes emocionalmente a imitar tatuagens presumidas tenha colocado na minha mão o troco de cinco euros em vez de dez e desconfie ainda das minhas sílabas lânguidas. Não importa que cem andorinhas não se cansem de chilrear fulgentemente e que a Noite, a mandato do Sol, sobrecarregue com os seus tributos todas as penitências deste funil vivente. E distraio-me tanto neste discurso alegre de palavras errantes que o tempo passa como um coelho assustado, as cores mudam cada vez que deslaço o pescoço e me enterro sem queixume neste poço textual. O que há para fazer com as batidas ancestrais das vinte e uma e trinta, nesta cidade da Covilhã? Como se semeia o nosso gérmen desenvolto neste seco terreno? ...