inícioíndiceprelúdioalegroaforismo 1 . a casa aforismo 2 . o leão olho no pensamento dia direitinho desinteresse temporal dois olhos recompensa tardia matemática dos sentidos outro ângulo corpo humano senti a tua falta cabeleireiromusas com sucedâneo brado singelo
Donde vens varonia manuseada pela necessidade de uma donzela deleitosa e com donaire? E também o dela, aquele querer feminil assasmente fiducial de um amante forte, afectuoso e não alcoólico?
É a loucura segundo Erasmo que assim explica a opressão física e moral que me visita assiduamente e até hoje só conjecturei a sua existência. Foi a loucura, enuncia o filósofo, que compadecida com a dificuldade de Júpiter em controlar a intemperança masculina lhe deu um conselho digno dela própria, a mulher. E Júpiter aceitou. Desde então, essas amantes sensitivas procuram, e com direito, um resguardo másculo, alguém para amar, o que não é tão aceitável assim são as condições que elas pretendem para acasalar.
Espalham a sua presença com a mão na gravata do Adão incrédulo mas não fazem força, é tudo tão suave, tão subtil, que o iludido ignora o sufoco que sente. Mais tarde repara nos danos causados na lança de liberdade. Partem-na, dividem tudo em partes miudinhas e nem provam para conhecer o seu valor. Partem-na tão subtilmente que parece que sempre esteva partida. Partem-na quando saem para jantar, dançar ou amar. Quebram aquilo de tal maneira, de mãozinha dada com beijinhos evidentes e sorrisos comprometedores, que parece que os desejos másculos de espaço aberto nunca passaram de borbulhas torpes e gordurosas de uma adolescência passada.
Depois, está limpo, a vida continua. O homem, coitado, quando nas noites de desentendimento acorda só no mundo másculo recorre à prostituição, porque aí dele que mantenha contactos físicos ou visuais com as suas antigas megeras.
Tudo serve para apregoarem ao mundo a sua aquisição: “se é varão, manda ele e ela não, se é varela, ora manda ele ora manda ela, se é varunca manda ela e ele nunca.”
Recordo trocas corporais que tive e se em algumas delas o encanto predomina outras há em que se mistura um sadismo atroz. São pernas para lá, pernas para cá com uma medonha necessidade de profanar o outro. O braço mete-se ali, o pescoço acolá e de respiração acelerada falta o fôlego, o chão, a presença. Os corpos lá rolam de um lado para o outro. Tudo estorva, tudo falta. Nos olhos revirados vê-se um desejo de acabar com aquele sufoco de prazer onde ambos correm para a meta da perfeição dos sentidos. E soltam-se frases, umas pela pele, outras pelos olhos exortam um ao outro obscenidades tentando transmitir a sua paixão.
E nesta necessidade humana o casal delicia-se e envenena-se.
Ouvem-se por vezes ensaios de solfejos com vozes femininas e violinos afinados repreendendo a sua sujeição a homens grosseiros e marxistas, perdão digo machistas. Pois é, o certo é que vejo homens a lavar a louça e poucas mulheres a mudar pneus, vejo homens a tomar conta das suas crias, sem cabeleireiro nem manicure, mas não encontro incenso feminino nas casas de pregos, rádios e pincéis.
O som dos violinos permanece, desta vez a defender os direitos feminis e a condenar convénios machistas mas o que tenciono ajustar com as donzelas, não é o seu pensamento, finalmente fora da cozinha, mas sim o seu toque subtil, sexual por certo, que parte a lança de qualquer conde apaixonado. Não a lança lasciva, que essa lá vai funcionando em corpos desleixados e partes por depilar, mas a outra, a outra que acelera o coração dos acordados quando vêem uma face bonita dentro dum corpo inteligente.
Oh ciúme, ciúme, senhor dos amatórios conservadores, aparta do barão e da sua baronesa os voluptuários com todos os seus gozos morais e carnais.
Com a astúcia mal delineada criam deveres, regras e condutas, no entanto vocês sabem, sim vocês aí, que um leve sorriso mesclado com um olhar inquisidor, na rua, bar ou chalé soltam braços masculinos sem licença da vontade própria.