Prosa 2002

inícioíndiceprelúdioalegroaforismo 1 . a casa aforismo 2 . o leão olho no pensamento dia direitinho desinteresse temporal dois olhos recompensa tardia matemática dos sentidos outro ângulo corpo humano senti a tua falta cabeleireiromusas com sucedâneo brado singelo

Comeno XII - Recompensa Tardia

Há tempo que esperava a minha sociedade. Procurei isso durante longos anos, agora desamparei essa intenção. Transformei-a numa pequena lembrança que embora presente já não magoa como outrora.
Aconteceu por duas vezes em dois dias. Um sonho libidinoso e outro social, apareceram à socapa como se já não fossem desejados.
Vi-os passar, deixando as suas marcas aconchegando-me ainda mais a mim mesmo. É diferente! Como se não passasse de apetrecho de mim sei lá.
Algo que adquiri porque pedi! Pedi para compreender o estranho sabor que sinto quando lanço o proveio dos meus dias sem hábitos regulares de existência e nada vejo.
Não vejo a gota de chuva que brota da semente, nem o sol que a ilumina.
Eu nessa escuridão aprendi a ver. Esfreguei três ou quatro pedras, já não sei ao certo, e pouco a pouco a luz apareceu. Agora já não se apaga mais, disso tenho a certeza, porque o carvão que a mantém é meu, recolhi-o todo durante estes anos passados.
Engraçado, que não precisando agora de mais carvão oferecem-mo como se intencionalmente já soubessem que não preciso mas que o tenho para oferecer. Está bem, eu dou um pouco mas depois fico à espera. Saber esperar é importante.
Recolho rapidamente estas duas moedas antes que este encómio se quebrasse.