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Quarenta silenciosos alunos, em final de licenciatura, ouvem o tinir de duas moscas de asas alvoroçadas na sala de aula que o professor ditador insistia em leccionar. Ditador porque verbaliza em tom repetitivo e monocórdico as questões que tem à frente. A universidade transpira segundo ciclo e os alunos, já grandes o suficiente para reclamar a “ditadura”, permanecem concentrados nos anexins profícuos do educólogo prostrado no seu palanque, a reflectir sobre as actuais políticas de formação na educação. O ambiente era aterrador com tanto mau gosto em expor.
“…parâmetros…”. Ao som desta palavra esdrúxula o docente cheio de pedagogia, levanta-se, desenha-a no quadro e repetindo a sua dicção carrega fortemente no chapéu, com receio que o “á” se molhe. Levantam-se olhos, ouve-se o professor e baixam-se os queixos com a cabeça carregada de educação.
Há fotocopiadoras espalhadas por todos os departamentos, retroprojectores que aceitam acetatos a computador ou manuscritos e há videoprojectores que ligados a um portátil dinamizam todas as salas de aula.
A dicção do mestre sentado continua e o silêncio do tirocínio também, agora com uma só mosca presente. A firmeza do docente era evidente. Há necessidade que todos concluam o ditado sem erros ortográficos e por isso o professor levantava os cotovelos da secretária e com um marcador de pouca cor ajudava repetindo o correcto fonema da palavra. Na primária a professora Santiago nunca ofereceu aquele tipo de ajuda, nunca se levantou a meio de um ditado a escrever palavras difíceis, quanto mais as esdrúxulas que todos sabem que são sempre, mas mesmo sempre acentuadas. Falta de cuidado em tão insólito ditado! As aprendizagens são distintas das de há cinquenta anos, de há trinta e mesmo dez. A Tecnologia desenvolve-se também para as escolas e com a evolução técnica e humana os cenários repetem-se: um professor, uns papéis e noventa ouvidos que só funcionam vinte minutos dos cem que tem a aula. Descamba o ensino, descamba o gosto de aprender e surge a desilusão pedagógica nos que pretendem ensinar.
O docente – os outros sabem o que ele também sabe - tem boa retórica, o docente é expressivo e eloquente, o docente capta a atenção com estultices apropriadas, o docente não é conflituoso, o docente é interessado e detém o gosto de ensinar, mas o docente está a tropeçar no obstáculo da adaptação por não entranhar em si a potencialidade desta nova era educacional.