inícioíndicepregaminho à informática 1º sistema de escrita 2º sistema de escrita 3º sistema de escrita pau de giz ou DVD interactivo ideal pansófico novos métodos dez razões mestre sentado bilbiografia
Com a electricidade (1878), a educação passou a ser iluminada; salas de inverno passaram a instalações de primavera, com temperatura a variar entre 24 e 28 graus Celsius. De início as expectativas foram ultrapassadas mas as duas guerras mundiais em trinta anos, a queda de quase todas as ditaduras, a ida à Lua e a nova era de informatização deram a volta aos professores, que por mais que carregassem no giz já não atraíam a atenção. Agora em vez de voz forte são necessárias umas boas colunas de som, em vez de um vasto conhecimento teórico é necessário rapidez a ligar o computador ao videoprojector e a manusear o rato.
As Novas Tecnologias são essenciais no ensino, as escolas devem aprender a rentabilizar os recursos com que foram dotadas. Os computadores existentes nas instituições de ensino já não são máquinas de escrever, dotam os alunos de competências que os tornam autónomos e motivados. A classe docente têm dificuldade em ensinar o que não aprendeu e deve, portanto, levar em frente um esforço contínuo na sua formação, um esforço que passa pelo autodidactismo e pelo intercâmbio de saberes, não só entre profissionais da educação mas também com os alunos, já que muitas vezes são os alunos a doutrinar os professores no que respeita às Novas Tecnologias. É necessário conciliar uma nova concepção do ensino com uma nova atitude do professor.
Acender as luzes por cima do quadro, trocar a cor do giz ou fazer acetatos sobrepostos são actividades que já não motivam os alunos. Há uma forte necessidade de reformar os actuais métodos de ensino de forma a diminuir os índices de desistência e de insucesso das escolas portuguesas. Há no entanto luzes ao fundo deste túnel, luzes digitais que se transformam em analógicas para os que pretendem ingressar na evolução e aperfeiçoamento humano.
Sem interesse não há assimilação nem produção de saber. A aprendizagem é regulada por quem a recebe e por mais que se grite cabe ao aluno autorizar a sua absorção. Mesmo as técnicas de avaliação escrita ou oral falham no intuito de forçar o aluno ao estudo; é o interesse que lhe abre as portas ao conhecimento. Os alunos gostam de ver, gostam de tocar e de sentir o que aprendem. A Tecnologia, com a simulação do mundo real, vem dar resposta a esta necessidade, tornando possível a aproximação sensitiva dos alunos aos conteúdos leccionados. O professor que utiliza os novos materiais didácticos tem sempre vantagem em relação aos que continuam agarrados aos quadros negros apesar da crónica alergia a pó de giz.
Ver, ouvir, cheirar, saborear e tocar. Actualmente as instituições de ensino usam apenas os dois primeiros sentidos no ensino, os restantes três não são desenvolvidos, são canais de informação disponíveis mas atrofiados por falta de uso. Existem dispositivos informáticos que permitem a detecção de sensações à distância e simular ambientes desconhecidos para os alunos. Aparentemente nenhum conteúdo de Português ou Matemática poderá entrar pelo nariz, pela boca ou pele mas essa falsa ideia começa já a desvanecer-se uma vez que aprender é também interagir com o ambiente.
Uma aula preparada com equipamento para o professor que o sabe usar não só ensina a utilizar as Novas Tecnologias como permite a captação imediata da atenção dos alunos sem grandes esforços na utilização das teorias pedagógicas de comportamento humano. Não se recorre a Skiner com a aprendizagem por descoberta, a Bruner com a participação activa do aprendiz no processo de aprendizagem nem a Paulo Freire com a pedagogia da liberdade. O aluno hiperactivo não aprende melhor sentado direito de frente ao professor nem ouve só se estiver calado. É mais fácil iniciar a aula com uma boa imagem projectada com qualidade na parede, algum tempo depois acompanhar com os alunos uma entrevista em vídeo sobre o conteúdo a leccionar e terminar com a normal marcação de presenças no livro de ponto.
O ensino acompanha o quotidiano. Os problemas que surgem na sala de aula nunca vão além de simples faltas de material que são resolvidas quase sempre com o professor sentado a fazer pedidos a auxiliares de educação. Nem todos os alunos têm empregada em casa e quando não conseguem gravar um ficheiro em disco ou quando o vídeo não sincroniza com a televisão são eles próprios que procuram a solução antes de chamar pelo “superior”.
Segundo Skiner, a inteligência é a capacidade de resolver problemas, em vez disso os professores desviam-se deles ao evitarem o normal esforço do processo de aprendizagem.
Sistema filosófico que considera a matéria animada por forças próprias e imanentes.
É uma acção recíproca em quase todas as teorias educacionais. O uso da tecnologia constrói uma ponte entre os interesses de educadores e educandos aumentando a interacção entre eles. Mais comunicação mais facilidade de atender as necessidades e interesses dos diferentes alunos. A consulta de sites na Internet, o uso das enciclopédias digitais, a projecção de vídeos temáticos, a videoconferência, entre outros, são métodos de ensino que aumentam exponencialmente a interacção do professor com o aluno melhorando o relacionamento de ambos com os conteúdos a leccionar.
O mundo da informatização desencadeia um aumento exponencial da evolução das diversas ciências. Hoje, mais que nunca, o professor encontra várias dificuldades em acompanhar o desenvolvimento de novas teorias. É frequente cometer erros de ensino por falta de informação actualizada. A nova escola, ligada em rede com o mundo, permite que o professor realize sistemáticas actualizações dentro e fora da sala de aula, sem descriminações económicas na compra de livros ou revistas da especialidade.
A Tecnologia reduz, elimina ou evita as emissões de poluentes com efeitos nocivos. Existem muitos desperdícios que são eliminados quando se adere às Novas Tecnologias: salas carregadas de livros, suportes para CDs áudio, gavetas de álbuns fotográficos, caixotes cheios de filmes antigos, enciclopédias desactualizadas, fotocópias, manuais escolares, dicionários, entre outros, podem agora ser substituídos por suportes digitais quase sempre reutilizáveis.
A Escola participa também neste processo. O professor disposto a usar o suporte informático participa ecologicamente para o meio ambiente e beneficia ainda da possibilidade de reutilizar as apresentações das suas aulas. O dinamismo dos novos suportes de informação digitais possibilita a reutilização de quase todo o material de apoio pedagógico. Os apontamentos – que se colocam em reprografias para que os alunos posteriormente os fotocopiem – podem estar disponíveis online vinte e quatro horas por dia, sem necessidade de gastos monetários nem dispêndio de recursos naturais desnecessários.
Existem paraísos espalhados por Portugal, desertos ou em processo de deserção. Os portugueses procuram as cidades, vilas e fogem das aldeias por falta de qualidade de vida. A evolução das sociedades vem inverter este fenómeno, a qualidade de vida está nas zonas menos desenvolvidas, com menos postos de trabalho mas também com menos indústria, menos poluição e população.
A Tecnologia participa neste combate à deserção, para além de possibilitar acesso aos seus habitantes a toda a informação promove ainda o seu repovoamento. As Novas Tecnologias ligam o mundo e ligam também o interior português ao litoral, devolvem “famílias de netos” às casas agrícolas dos avós e fixam os jovens em locais mais relaxados longe das sequelas da hora de ponta que todas as cidades cheias têm.
No século passado o conhecimento a leccionar estava centrado na classe docente. Ainda que assim continue, com os professores bem formados nas respectivas áreas, os alunos burburinham acrescentos à matéria.
Nas escolas existem indivíduos que se encontram ligados à Internet há menos de uma década, uma vez que nos anos noventa aceder à rede mundial informatizada era um privilégio universitário. Hoje, existem crianças de cinco anos a falar em chats com os amigos do outro lado do mundo, mais um ano e entram para a primária, mais nove ingressam no secundário e ao fim de mais três anos entram para a universidade. Após doze anos o aluno andou por muito lado sentado na secretária do seu quarto. O seu conhecimento advém do seu percurso escolar, mas muito dele não foi apreendido de mão dada com os professores. Ao contrário do século passado, ele não lê apenas autores indicados pelo seu professor ou pelo Ministério da Educação pois tem a sua autonomia para desenvolver o seu currículo livre dentro da vasta sociedade de informação.
Desvantagens Na Utilização Das Novas Tecnologias No Ensino.
Necessidade de formação constante
A principal dificuldade encontrada na utilização de Novas Tecnologias encontra-se na discrepância dos meios pedagógicos usados há dez anos, quando muitos professores concluíram a sua formação, e os disponíveis actualmente. Há tendência para o ser humano rejeitar novas formas de fazer e os professores não são excepção, facto que levou à quase obrigatoriedade formativa do professorado para a progressão na carreira docente. As Novas Tecnologias exigem um esforço ainda maior no que diz respeito a uma correcta adaptação. Nunca em qualquer época da história da educação foi colocado tanto em causa a competência dos professores, o que merece uma resposta eficaz por parte da classe docente.
Alteração da relação professor-aluno
Durante séculos os alunos divinizaram os conhecimentos dos docentes. Esta situação é agora alterada com a dificuldade dos professores no que respeita à transmissão do conhecimento. O conhecimento passa a ser acessível fora das salas de aula alterando a estrutura hierárquica da mesma.
Isolamento educacional
A perda do peso da escola na formação do indivíduo juntamente com o individualismo que se verifica actualmente contribui para que o isolamento educacional se verifique. O foco de prioridades dos alunos está fora do espaço escolar e este passa a ter um papel secundário na sua formação. É já possível a qualquer autodidacta aprender longe das escolas ainda que as frequente. É importante a autonomia mas é também importante o contacto com professores e colegas de turma. A investigação individual é necessária mas em exagero poderá criar hábitos de estudo isolados das escolas prejudicando o espírito de trabalho em grupo crucial na nova sociedade.
Descriminação económica
Nos últimos anos verificamos a entrada de novos instrumentos no quotidiano português. Há uns anos nem todos os alunos podiam adquirir uma calculadora. Na próxima década o computador estará em todas as casas com a televisão por cabo e Internet. A Informática é uma área muito prática, uma nova maneira de lidar com informação que para ser assimilada necessita de um contacto directo com o indivíduo. Só com este contacto é que o uso dos computadores será introduzido no ensino e na aprendizagem como manual, dicionário, centro de informação e de pesquisa. Esta alteração poderá, enquanto não se verifica a massificação dos recursos informáticos, prejudicar os alunos que não tenham acesso a estes novos instrumentos, descriminando-os economicamente, no entanto, o número de computadores per capita aumenta de ano para ano e espera-se que nos próximos anos a Internet seja uma realidade em todas as famílias portuguesas. É neste cenário que a classe docente deverá educar.