helenismos.com                                   PASSOS DE AÇO



Estava sentado, a tentar desfrutar do que fazia e no entanto estava irritado sem saber o que queria. Foi aí que me deu um vaipe e percebi, sem fazer caso disso, que aquilo já estava sem vida e eu não queria reparar nisso.

21 Julho 2010 - 21:38:03 h



Um crescimento interior persegue-me
indiferente a qualquer vontade.

14 Julho 2010 - 11:33:51 h



Ao saborear o ar limpo alguém se queimou no mais sujo. Diz lá como foi, é que sem ver não posso crer, diz aos ouvidos mais abertos que o ar sujo é para os potes mal pensados, para os bobos desenterrados da ilusão da juventude.

08 Julho 2010 - 03:08:10 h



Sinto-me pronto
para o doce estado que me protege e segue.

02 Julho 2010 - 23:23:33 h



A vida oferece os seus frutos sem pedir nada em troca.

25 Junho 2010 - 14:08:26 h



Que truque de segunda preparar o dito para o transformar em bendito. Adoçante de cacau que me ralhas de mau, carro sem janelas com assentos de selas a viajar numa veia a uma orelha para espiar o injusto como se fosse um boato cusco. Fechar esta expressão anormal de uma forma singular. Desacreditar as rimas que são todas inimigas e trabalhar o vivido para melhorar o que é seguido.

19 Junho 2010 - 09:10:58 h



Nunca compro nem vendo uma experiência
garanto, nem uma, nem duas, nem três
esse negócio só pode dar falência
ninguém sofre, ninguém ama em nossa vez.

(hendecassílabo)

16 Junho 2010 - 20:01:11 h



Não tenho almoço, só beleza sentimental.

07 Junho 2010 - 01:18:59 h



Neste momento fecundo,
lembro-me de outras coisas do mundo,
sem fel nem asfalto vagabundo.

30 Maio 2010 - 02:12:08 h



Ininterrupto persigo os meus passos e depois fujo deles receando os coices secos da sorte. Ferraduras partem a minha audácia, recupero e de novo fico hirto, sem músculos na face, sem valor no peito, sem poder de sobressair.

20 Maio 2010 - 23:28:16 h



O aparecimento da minha ausência
que tem asas de presença.

18 Maio 2010 - 12:38:45 h



Reparo em esboços deste mundo, quadros malfadados e de cores virulentas decorados com a retrógrada ideia da perdição humana. Esquecem o céu que reflecte todos os sorrisos humanos e as nuvens brancas lançadas pelos poderosos sonhos dos ousados. Critico tais pintores e seus fãs. Este quadro não me agrada! Juntei algum dinheiro e comprei tintas mais vivas. Depois, cravei os olhos no mundo e com o meu arredio feitio cobri uma tela com um aspecto bem mais aprazível.

12 Maio 2010 - 20:25:28 h



Por hoje é tudo, vou de penas embrulhado em mudo.

02 Maio 2010 - 01:51:42 h



Meias-ideias atacam de lado o anelo
de por cá me fixar com carmes.

27 Abril 2010 - 01:28:41 h



Dia em estado alegre de existir
numa normal graça imposta por um bem-estar afortunado.

16 Abril 2010 - 00:12:00 h



Neste acto simples despeço a superficialidade,
de saco às costas a saborear a anatomia do bom senso.

10 Abril 2010 - 14:10:21 h



Tudo é imperfeito na busca da mortalidade sem vícios.
Tudo é perfeito na busca da imortalidade com vícios.

3 Abril 2010 - 16:24:06 h

Nestes dias primaveris, onde a hora adianta por uns meses e que coincidem com a lua de luz redonda, apetece-me ficar a olhar gandaiamente as historietas da natureza humana que andam enroladas, com muito engenho, nas pronúncias regionais, nos repuxos das fontes modernas, no néctar dos frutos mais suculentos, nas frases ditas com palrarias válidas, nos mimos, nas jigajogas, em fraques escuros, nas hortaliças velhas, em prognósticos inalienáveis e nas conjecturas unânimes de bonifrates autónomos.

31 Março 2010 - 12:57:43 h

É mais fácil escrever com tanques de metáforas
e ramos de alegorias para expor de forma clara
o que por vezes não é assim tão evidente.

27 Março 2010 - 12:30:20 h

Se fujo das palavras elas perseguem-me.
Agarro-as e a minha atenção envolve e pensa.

22 Março 2010 - 22:25:54 h

Rasgar as teias para bloquear as veias, não respirar para evitar o constar. Transluzir o agora por detrás do escrito, remédio bendito nas palavras que dito. Emendar o erro que não sei se incorrecto ou se pouco mal feito.

20 Março 2010 - 13:10:39 h


Estou marcado por um redor
que pode ou não ser de busca.

9 Março 2010 - 23:49:02 h


São as cores que acedem às emoções e as misturam aos somatórios de gracinhas diversificadas.

4 Março 2010 - 23:07:01 h


Fácil é deixar a vida saltar como um voo de mosca,
por entre momentos agonizantes de sentimentalismo.


27 Fevereiro 2010 - 08:27:37 h


Que tamanho sentido existencial o imortal da criatividade demarcado da realidade.

23 Fevereiro 2010 - 12:39:11 h



Prefiro um murro e uma flecha no peito
que a vista dum templo com defeito.

18 Fevereiro 2010 - 23:27:57 h



E se a Ria enchesse por completo
e me levasse para local incerto?

9 Fevereiro 2010 - 2:08:53 h



Caem no meu espaço e misantropo arquivo espólios num oculto campo no regaço. Volto-me emergente e bóio incoerente. Contesto a falta de revolta. Alongo as pernas e nada me mata, nada me sacode desta esfera
corrida de sins.

4 Fevereiro 2010 - 23:33:13 h



Os ponteiros do meu norte andam sempre a galope.

27 Janeiro 2010 - 23:44:54 h

Eu sinto por frases.

20 Janeiro 2010 - 22:48:16 h

Um refresco de indisciplina pinga e a agenda cai directa num invólucro de discórdia. Coxeio na rasteira para fugir à ratoeira e espreito a vida para não bocejar em caçadeira. Preparo o escudo e aprendo suicida.
Vulgarizo blasfémias, brumo cínico, vingo clínico.

14 Janeiro 2010 - 23:23:14 h
Cheria-me a deuses

Cheira-me a deuses e emano de mim
um sabor austero de hedonismo.

11 Janeiro 2010 - 00:17:04 h
vem, vamos, anda daí

Esqueço-me de mim e arrependo-me logo.

07 Janeiro 2010 - 21:48:32 h
vem, vamos, anda daí

Sempre que tenho frio, o meu ser pede e eu crio.

29 Dezembro 2009 - 13:44:27 h


vem, vamos, anda daí

Pegar nas ideias que ninguém toca
e sair da festa sem abrir a boca.

18 Dezembro 2009 - 00:59:37 h


vem, vamos, anda daí

Só a escrita depura um vate.

08 Dezembro 2009 - 23:11:02 h


vem, vamos, anda daí

Às pás nas tantas está vendido à felicidade.

25 Novembro 2009 - 00:33:32 h
vem, vamos, anda daí

Custa-me ver o dia desaparecer
sem um registo que o glorifique.

17 Novembro 2009 - 16:53:50 h


vem, vamos, anda daí

nos meus olhos um funil sempre rodado
o campo de visão muda, está louco      
o que é belo fica gigante, ampliado
e o feio menos feio, menos um pouco.

(hendecassílabo)

10 Novembro 2009 - 18:10:54 h
vem, vamos, anda daí

O braço em vaivém e o tempo dá o que tem, enquanto rendo voos de serrote num tapete sem archote.

20 Outubro 2009
vem, vamos, anda daí

A novidade vem aí,
cheia de sacrifícios saborosos para quem os adora.

9 Setembro 2009
vem, vamos, anda daí

Completo desaparecimento da sombra solar
que nos copia a todos.

2 Setembro 2009
vem, vamos, anda daí
Como os deuses me surpreendem.
5 Agosto 2009
vem, vamos, anda daí
Tanto posso ser abraço
como um cometa no espaço.
5 Agosto 2009
vem, vamos, anda daí

e diz-me o ombro em tom cínico
o teu estado não é clínico.

6 Julho 2009
vem, vamos, anda daí

Um corte de homem inteiramente a cores.

22 Junho 2009
Calco relva como o ar durmo em pé sem lá estar.

Ontem atirei pedras ao futuro
e bafejei-o de altercação.

17 Maio 2009
Calco relva como o ar durmo em pé sem lá estar.
Se me largo nos meus bolsos
costuro-me com linha forte
e transformo-me em casaco.
21 Abri 2009
Mochila às costas vida em postas

Duplicar as dores do prazer de ser.
13 Abril 2009

Pia o sol pia o dia Recordar é amar-me endeusado.

6 Março 2009

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estou num prato
duro, ruim
sola sapato
assim assim

1 Fevereiro 2009
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Amargos cardos à vontade rolam! Eu, atento, continuo completo, o meu ser sou eu, o meu eu repleto. Distrai de prosa cai no metro. Não acertes. Ponto final de cinco em sete palavras e desmarcas a medida. Isso, escreve suave e sem escala! Digo escrúpulos, folo em júbilos, descrevo formas em cambalhota sem gravidade que me aperte.

1 Janeiro 2009
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