
E se a Ria enchesse por completo
e me levasse para local incerto?

Caem no meu espaço e misantropo arquivo espólios num oculto campo no regaço. Volto-me emergente e bóio incoerente. Contesto a falta de revolta. Alongo as pernas e nada me mata, nada me sacode desta esfera corrida de sins.

Os ponteiros do meu norte andam sempre a galope.

Eu sinto por frases.

Um refresco de indisciplina pinga e a agenda
cai directa num invólucro de discórdia.
Coxeio na rasteira para fugir à ratoeira
e espreito a vida para não bocejar em caçadeira.
Preparo o escudo e aprendo suicida.
Vulgarizo blasfémias, brumo cínico, vingo clínico.
Cheira-me a deuses e emano de mim
um sabor austero de hedonismo.
Esqueço-me de mim e arrependo-me logo.
Sempre que tenho frio, o meu ser pede e eu crio.
Pegar nas ideias que ninguém toca
e sair da festa sem abrir a boca.
Só a escrita depura um vate.
Às pás nas tantas está vendido à felicidade.
Custa-me ver o dia desaparecer
sem um registo que o glorifique.
nos meus olhos um funil sempre rodado
o campo de visão muda, está louco
o que é belo fica gigante, ampliado
e o feio menos feio, menos um pouco.
(hendecassílabo)
O braço em vaivém e o tempo dá o que tem, enquanto rendo voos de serrote num tapete sem archote.
A novidade vem aí,
cheia de sacrifícios saborosos para quem os adora.
Completo desaparecimento da sombra solar
que nos copia a todos.
Como os deuses me surpreendem.
Tanto posso ser abraço
como um cometa no espaço.
e diz-me o ombro em tom cínico
o teu estado não é clínico.
Um corte de homem inteiramente a cores.

Ontem atirei pedras ao futuro
e bafejei-o de altercação.

Se me largo nos meus bolsos
costuro-me com linha forte
e transformo-me em casaco.

Duplicar as dores do prazer de ser.
Recordar é amar-me endeusado.

estou num prato
duro, ruim
sola sapato
assim assim
Amargos cardos à vontade rolam! Eu, atento, continuo completo, o meu ser sou eu, o meu eu repleto. Distrai de prosa cai no metro. Não acertes. Ponto final de cinco em sete palavras e desmarcas a medida. Isso, escreve suave e sem escala! Digo escrúpulos, folo em júbilos, descrevo formas em cambalhota sem gravidade que me aperte.